quarta-feira, 6 de abril de 2016

CR já tem escudeiro

Olhar, perceber o movimento e colocar a bola redondinha para o melhor do mundo. Eis o porquê de sermos candidatos a ganhar o Europeu. Porque temos o melhor do mundo. “Mas já o temos desde 2004!” Verdade. Mas nunca tivemos alguém que acompanhasse a sua velocidade de pensamento futebolístico. Alguém que nos permite jogar, ao mesmo tempo, em 2, 3 sistemas.
 É o que João Mário nos permite. A ideia de colocar um jogador interior nos extremos do campo não é nova – vide Messi nos tempos de Guardiola – mas abre-nos perspetivas inimagináveis num país onde os extremos são reis. Ao abdicar de dar largura no último terço, Fernando Santos criou um sistema novo que potencia as qualidades de CR7, dando-lhe a liberdade de movimentos que ele precisa. Mas essa liberdade não pode ser utilizada sem sentido. E é aí que entra João Mário.
 Se Ronaldo é um animal em termos físicos, o miúdo é um animal em termos cerebrais. É um jogador que permite que a equipa jogue em 4-4-2, 4-3-3, tudo ao mesmo tempo. Porque ele deambula, da direita, para o meio, para a esquerda. Porque percebe o espaço que tem de ocupar em cada momento. Percebe qual o melhor seguimento que tem de dar para chegarmos ao golo. Porque vê as coisas a acontecer antes que elas aconteçam.

 Cristiano Ronaldo precisava de um jogador como este ao seu lado. Um jogador que o perceba, que o acompanhe, que seja o seu fiel escudeiro. Vários tentaram mas o estilo deles era parecido (e naturalmente menos eficaz, afinal CR só há um). Este é diferente. É extremo, mas não é. É um maestro que joga na linha. E no meio. Entre linhas. Aproveitando que as atenções dos adversários estão focadas nos mais famosos, nos extremos. É por aí que temos de acreditar. Que Ronaldo encontrou alguém que o entende e que comunica com o resto dos mortais como fazê-lo

O momento que eles se escolheram foi o golo contra a Bélgica. Ronaldo marca um livre rapidamente e corre para a área. João Mário levanta a cabeça e vê aquela seta disparada para a área. Determina a força necessária e coloca a bola não na cabeça dele. Coloca a bola à frente dela, para que o CR faça o melhor que sabe.

E depois, o reconhecimento. Em fração de segundos, remate, GOLO! E o agradecimento. O apontar do dedo “You make me complete”. Ronaldo tem de fazer o seu “SI!!!” mas logo de seguida abre os braços para receber a sua alma gémea. Que os outros mortais falem com o João. Assim temos hipótese!